publicidade
Laurie Locci Pires
1-
Nome:King
Raça:Lhasa Apso
2-
Nome:Tobby
Raça: Labrador
3-
Nome:Mimi
Raça:SRD
4-
Nome:Belinha
Raça:Maltes
5-
Nome:Jeff Tweedy
Raça:Calopcita
O budismo e os animais
Entrevista com a Monja Coen
Compartilhe essa entrevista  |
A delicadeza com que a Monja Coen atendeu ao pedido de entrevista do Viva Bicho nos impressionou, assim como suas palavras repletas de sabedoria .
 
Autora dos livros Viva Zen e Sempre Zen – Aprender, Ensinar e Ser, Monja Coen tornou-se a primeira mulher e a primeira pessoa de origem não japonesa a assumir a presidência da Federação das Seitas Budistas do Brasil.
 
Foi ordenada monja zen-budista em 1983, ano em que partiu para o Japão. Lá, permaneceu por doze anos, dos quais os oito primeiros no Convento Zen Budista de Nagoia, Aichi Senmom Nisoto e Tokubetsu Nisodo. Retornou ao Brasil em 1995.
 
Hoje, a Monja Coen mora em São Paulo e participa de encontros educacionais, faz palestras e promove a Caminhada Zen onde divulga o princípio da não violência e a criação de culturas de paz, justiça, cura da terra e de todos os seres vivos. Com vocês, Monja Coen.
 
 
VB- Quais os motivos que a levaram a tornar-se monja? 
 
Monja- A prática do Zazen, a meditação sentada silenciosa. Foi a maior e melhor descoberta de minha vida. Poder apenas sentar, respirar e perceber que somos a vida da Terra, que estamos conectadas a tudo que existe. Interagindo com toda a grande natureza, todos animais, todas as plantas, todos os minerais, as águas, as terras, os ares.
 
 
VB- Qual a relação do Budismo com os animais? 
 
Monja - Uma relação de respeito e convivência. A espécie humana não teria sobrevivido se não fossem os outros animais. Formamos juntos a vida do planeta. Os animais são manifestações da Natureza Buda.
 
 
VB- Para o Budismo, quais as raízes da violência? 
 
Monja - Há três venenos que podem prejudicar os seres humanos: ganância, raiva e ignorância. Acredito que sejam esses venenos os causadores das violências todas. E há inúmeras formas de violência, algumas não usando força física, inclusive. A ignorância mesclada com raiva e ganância gera violência.
 
 
VB- Num mundo com tanta violência, correria e indiferença, qual é o caminho para alcançar harmonia e paz interior? 
 
Monja - O cuidado, a ternura, o respeito, o amor, a sabedoria, a compreensão clara, a compaixão. Tudo surge da realização de que nossas vidas estão entrelaçadas com todas as outras vidas. E que cada minúscula forma de vida é tão poderosa, rara, maravilhosa, importante quanto a nossa. O Zen Budismo ensina o caminho do zazen, meditação silenciosa, para o encontro com a verdade e a prática do caminho. No zazen, podemos reencontrar a harmonia e a paz que tanto queremos. Cada um, cada uma de nós que penetra o campo da compreensão superior e da compaixão ilimitada, está construindo uma cultura de paz, de não violência, de partilha, encontro,diferença. Não somos todos iguais. Somos todos a Natureza Buda se manifestando em múltiplas formas. Cada ser é único e precioso, sagrado. O caminho da harmonia e da paz interior está no caminhar pleno, presente, no absoluto instante passageiro. 
 
 
VB- O Budismo tem a prática de ensinar as crianças a respeitar os animais desde os primeiros momentos da vida? Por que? 
 
Monja- Sim, o budismo ensina a respeitar a vida porque somos a vida. Precisamos de todas as outras formas de vida para mantermos a nossa espécie. As crianças são ensinadas, no Japão, a apreciar as flores da Primavera, o verde do Verão, a lua do Outono e a frescura do Inverno. Estimular crianças e adultos a escrever poesias, olhar para a natureza, reconhecer a vida em cada partícula é essencial para formar adultos capazes de cuidar, de respeitar, de ir além de apegos e desejos, estar acima de aversões e repulsa. Apenas quando transcendemos o eu e o outro e nos percebemos interligados a todos os outros seres poderemos fazer o bem, viver a ética da vida.
 
 
VB- O que uma mãe, um pai ou um professor (a) podem fazer para estimular nas crianças o respeito por todos os seres vivos e a transmitir o conceito de que a vida não é peça descartável?
 
Monja- Há muito a ser feito. Podem começar cultivando plantas, criando pequenos animais. Mas é preciso ensinar que não são descartáveis, que são seres vivos, que sentem, que precisam de afeto,de atenção, de carinho, de alimentos, de passeios, de sol, de chuva, de vento. É preciso estimular o contato com a natureza. Questionar de onde vem os alimentos. Fazer com que as crianças percebam a rede, a trama da existência. Visitar fazendas, sítios, tocar a terra,saber das necessidades das plantas e dos animais, das águas, do ar, do solo. Acredito que a educação deva ser feita não apenas em salas de aula, nem só virtualmente. Necessário ir aos locais, tocar, sentir.
 
 
VB- É possível uma cultura de paz? 
Monja- Sim. É possível haver uma cultura de paz e cabe a cada um, cada uma de nós, construir essa cultura de paz. Existe em São Paulo o Conselho Parlamentar de Cultura de Paz. Seria maravilhoso que cada Prefeitura e todas as diversas Prefeituras dos diversos Estados tivessem conselheiros e conselheiras responsáveis por analisar projetos e criar condições para o estabelecimento de uma Cultura de Paz. Cultura de Paz não é apenas a não violência física - inclui um sistema de saúde que atenda respeitosamente as pessoas e os animais, um sistema judiciário rápido, um sistema educacional que permita a formação de seres humanos éticos, respeito aos idosos, respeito aos jovens, crianças, mulheres e todas as formas de vida.
 
 
VB- Uma pergunta inevitável. Qual a sua relação com os animais? 
 
Monja- Animais me provocam amor, ternura. Animais me lembram do animal em mim - identificação. Animais me ensinam a simplicidade e transparência de ser, de interser. Animais dão vida à minha vida.
 
 
VB- A senhora tem bichos de estimação? Quais os nomes? 
 
Monja- Vivendo comigo atualmente estão a Tora Hime e a Endora. Tora Hime é uma cadela de raça Akita, tigrada, doze anos, cega, amada. Teve muitas crias, mãe maravilhosa, amiga, minha grande amiga. Endora é dinamarquesa, hoje chamada por alguns de dogue alemão, malhada. Endora era de minha filha, que se mudou para um apartamento. Ela também tem doze anos, dor nas costas, faz acupuntura, fisioterapia. Minhas amigas amadas idosas. Com tristeza me despedi este ano de Musashi, akita branco, forte, macho alfa, que corria a me receber, me acordava e me exigia passeios, carinhos, comida, ternura. Musashi me protegia e defendia. Morreu. Rezo e agradeço a ele todos os dias. Hoje, Endora fica na entrada me esperando, esfrega sua cabeça em meu colo e nos beijamos. Ela me protege e eu a ela. Tem ciúmes de Tora Hime. Então ficam separadas. Uma dorme na parte debaixo da casa e outra na de cima. Fico um tanto quanto dividida querendo dormir com as duas. E, não sei se poderia dizer se sou eu que as tenho ou se são elas que me tem. Somos companheiras e nos respeitamos como seres vivos que compartilham alimentos, água, ar, terra, sol, lua, estrelas, chuvas e ventos. Respondo. 
 
 
Fonte: VivaBicho
 
Deixe seu comentário:
Nome:
Comentario:
Digite os caracteres que você vê na imagem


Comentários
FACECÃO A REDE SOCIAL DO SEU AMIGUINHO - 2012 ©Todos os direitos reservardos
Desenvolvido por: ELLOS DESIGN